Tinos, a bela Eoliana

04-08-2010

 Marie Lecocq

A ilha de Tinos, situada no norte das Ciclades, soube proteger-se do turismo de massa que se alastra nomeadamente na célébre ilha vizinha de Mikonos. Conhecida pelos seus ventos do norte que refrescam a atmosfera no verão, a antiga morada de Éolo acolhe igualmente a mais importante peregrinação ortodoxa da Grécia.

No verão passado, o semanário italiano Panorama entitulava um dos seus artigos «Adeus Mikonos. Este ano, vamos à Lipsi ». Os nossos amigos italianos, os mais fiéis adeptos do famoso arquipélago grego, parecem que são tentados pela descoberta das ilhas e dos ilhéus que, até o dia de hoje, eram abandonados pelo turismo em proveito da «pequena Veneza» grega ou de Santorini.
Uma nova tendência? Os oásis de paz desconhecidos das Ciclades proporcionam a todos um outro modo de fazer turismo, mais próximo do habitante e das tradições locais, a somente algumas milhas das discotecas e praias lotadas das destinações mais populares.
 
Da morada de Éolo ao Palácio de Buckingham
A discreta Tinos, «ilha dos ventos» prolongando-se tranquilamente entre Andros e Mikonos, resistirá aos novos ataques de piratas dos tempos modernos, isto é, os turistas? Em todo caso, do alto do seu rochedo, o Exombourg, esta terra de múltiplas facetas, combateu corajosamente durante vários séculos os bandos de agressores que desciam regularmente em suas praias selvagens e idílicas.
 
No século XIII ela se tornou veneziana e, assim, herdou uma arquitetura muito particular, mistura de tradição cicládica e amor medieval pela escultura: lintéis, fontes e pavimentos decorativos que lembram nas aldeias a vocação artística deste lugares cuja mármore muito apreciada realça actualmente os ornamentos do Louvre ou ainda do Palácio de Buckingham! A presença deste precioso material deu origem na cidade de Pirgos, no norte da ilha, a uma prestigiosa escola de canteiros.
 
Uma «Lurdes ortodoxa»
A outra estrela incontestável desta «Lurdes ortodoxa» é a Virgem Maria, com as suas inúmeras igrejas e capelas que lhe são dedicadas. Além disso, neste pequeno território muito devoto,  as opiniões variam quanto ao número total de edifícios religiosos: 600 cidades no folheto turístico local até 1.500 numa visita guiada em autocarro... é você quem,  no lugar, julgará! No mês de agosto, o pequeno porto de Tinos torna-se o santuário mariano ortodoxo mais importante da Grécia. Um sucesso devido a uma freira chamada Pelágia que, em 1823, após ter sonhado com a Santa Maria, encontrou um ícone da Virgem. De facto, Santa Maria lhe indicara o lugar onde se encontrava a imagem sagrada.  
 
No que diz respeito à gastronomia, a ilha se destaca pela presença dos seus magníficos pombais utilizados para a criação de uma ave considerada como uma iguaria... até o século XIX! Hoje em dia, a ave e a alcachofra estão em destaque: há tudo para variar os prazeres da taverna grega e das suas eternas (mas deliciosas!) souvlaki.
 
 
 
INFORMAÇÕES PRÁTICAS
2 a 4 horas no mar são suficientes para ir até Tinos a partir de Atenas, segundo o tipo de embarcação. Durante o verão aconselha-se muito reservar o seu lugar com antecipação, em linha ou no local em uma das companhias de ferries: www.bluestarferries.com ou www.agoudimos-lines.com